terça-feira, 11 de novembro de 2008

CAPE África - Debates a fazer

A arte contemporânea tem fronteiras? Tem referências? O que entendemos por Arte Contemporânea Africana? Porque razão a maior parte das Bienais Africanas se limitam aos artistas africanos?



CAPE África

Debates em Maputo -C. C. Franco Moçambicano - Nov 2008


A necessidade de uma discussão alargada e de tornar públicos os resultados obtidos, são os objectivos das sessões de debates promovidas pela CAPE AFRICA PLATAFORM. Maputo e Luanda foram capitais escolhidas para sessões de debates de workshops alargados a artistas e público em geral.


Para que a discussão perdure e outros contributos surjam, deixamos aqui a intervenção que o Gemuce fez na confenrência do Cape África em Angola.

Referências, identidades e preconceitos
"Eu sou inteligente porque venho de África e não porque sou africano."
Bento Carlos Mukesswane


Um dos grandes desafios do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique - MUVART ao longo do exercício das suas actividades, tem sido a difusão do seu manifesto pelo público, a sua tradução nas curadorias que faz, na produções dos seus membros ou mesmo do seu posicionamento político.

A afirmação "não queremos ser uma África estagnada nas suas tradições…", tem suscitado observações críticas por parte de algumas pessoas que interpretam esta afirmação como um discurso traidor de valores culturais africanos. Contrariamente, o discurso Muvart pretende exactamente promover os valores culturais africanos, se não mesmo Humanos, em que "mudanças de mentalidade" libertadoras de algemas preconceituosas são a força locomotiva deste movimento.

Estas algemas não estão somente nas cabeças dos africanos, permanecem um pouco por todo o mundo. É um desafio de todos e só ganha aquele que se tiver libertado. A minha paixão particular sobre arte contemporânea reside também nesta liberdade preconizada na sua estética. Entende-se que a necessidade de valorização da identidade "folclórica" seja importante, mas não se pode confundir com o sentido funcional da dinâmica de um movimento artistico global. Se percebermos e aceitarmos que a linguagem contemporânea ou conceptual, não pertence ao ocidente mas sim ao universo percebemos que o processo de libertação já está em curso. África só pode ter identidade nesta dinâmica se poder participar activamente nela. Aliás, África é uma referência e não uma identidade. Não estou com isto a propor esquecimento das tradições, antes proponho que se faça uso do que possa ser necessário para funcionar hoje, para todos, se for o caso.

Obviamente a construção desta comunicação contemporânea não depende somente das instituições consagradas como tal, mas de uma interacção intelectual, de observações e questionamentos partilhados sob diversas formas e em diversos espaços.


CAPE África
Debates em Maputo -Rua D'Arte - Nov 2008




Are there any frontier’s for contemporary African Art? Is there any reference? How do we understand contemporary African Art?

The need for an open and broad discussion and public promotion of the results of this and other issues is the objective of the debate session’s promoted by the Cape African Platform.
Maputo and Luanda were the chosen capital’s for the debate session’s, consisting of open workshops for artists and the general public.
In the spirit of the continuity and future contribution, here is the intervention by the artist Gemuce from the Cape Africa session in Angola.



Reference’s, Identity, Prejudice

"I am intelligent because I come from Africa not because I am an African."
Bento Carlos Mukeswane


One of the greatest challenges for the Movimento de Arte Contemporanea - Muvart throughout its practice has been to make its manifesto known to the public, its translation into curator-ship practices, artistic production and political positioning.

The statement ‘we don’t want to be a traditionally stagnated Africa’ has been interpreted through critical observations by some people has a betrayal to the African cultural values.Contrary to this, the Muvart discourse is intended to promote African Cultural values up to Human Values by which changes of mentality would open and free us from prejudices in an ongoing strength of cultural movement.

This prejudices are not only in the minds of the African’s, but consistently all over the world. Thos is a challenge for everyone and will win the one who has freed himself.My special passion for contemporary art resides also in the freedom of its aesthetics. The need to value the ‘folkloric’ identity is important but cannot be mistaken with the dynamic functional sense of an artistic movement. If we understand and accept that contemporary language does not belong to the West, but rather to the dynamic cultural universe, it is seen clearly the course to freedom. Africa can only have identity in this dynamic’s if actively participates in it. Africa is a reference not an identity. I am not suggesting that we forget our traditions, but we rather make use of whatever is necessary to work today for all if necessary.
Obviously the construction of this contemporary communication relies on established institutions as such, but more also on intellectual interaction, observation’s and shared questioning in different form’s and places.

2 comentários:

Maimuna disse...

Alo Gemuce! como estas? Achei o teu texto interessante, e concordo com o que dizes... acho que é preciso entender que a noção 'fixa' de África como só produtora de produtos artesanais (por exemplo) vem de um contexto, possivelmente politicamente motivado... parece-me que hoje em dia, pelo menos em alguns circulos, o mito esta a ser esclarecido...

Nyabetse, Tatinguwaku disse...

Parabéns ao Muvart por reactiver o blog.
Gemuce, sorrio ao ler a citacao do Bento, ainda ontem escrivi um pouco sobre ele num dos meus muitos blogs.

Este debate, ja conversamos muito sobre ele ha anos. E a minha opinião é a mesma, (hihihi, bem, está mais contemporanea), näo podemos seguri colocando pessoas, artes, o mundo em caixinhas. Não podemos esperar que a obra dos europeus seja dinamica, e que a dos não ocidentais seja estática. Tudo muda, tudo evolui...

Mas muito deve ser feito, entre outras coisas o debate constante, para promover esta percepcao e aceitacao.

Mas na minha opinião, na prática esta dinamica depende de muitos factores, dos quais podemos falar mais adiante.

Beijocas